
Associação Brasileira de Rochas Naturais acompanha desdobramentos da proposta anunciada pelo USTR e destaca importância da manutenção de canais de diálogo permanente.
Vitória (ES), 02 de junho de 2026 – A Associação Brasileira de Rochas Naturais (Centrorochas) acompanha com atenção a proposta anunciada pelo Escritório de Comércio dos Estados Unidos (USTR), nesta terça-feira, 02 de junho de 2026, que prevê a aplicação de uma sobretaxa de 25% sobre parte das exportações brasileiras para o mercado americano.
A medida foi apresentada após a conclusão de investigação conduzida pelo governo dos Estados Unidos sobre práticas consideradas restritivas ao comércio americano e gera preocupação em diferentes segmentos exportadores brasileiros, diante dos potenciais impactos sobre a competitividade e a previsibilidade das relações comerciais entre os dois países.
A proposta divulgada pelo USTR inclui uma lista de exceções para produtos considerados estratégicos para a economia americana. Entre os códigos contemplados está o HTSUS 6802.99.00, referente à categoria “Pedra monumental ou para construção, trabalhada, n.e.”, classificação que abrange, entre outros materiais, os quartzitos brasileiros. No entanto, o cenário segue gerando preocupação para o setor, uma vez que aproximadamente 45% do faturamento das exportações brasileiras de rochas naturais permanece potencialmente exposto aos efeitos da medida.
Entre os produtos que não estão contemplados nas exceções anunciadas pelo USTR estão categorias relevantes da pauta exportadora brasileira, como granitos, mármores, ardósias e outros materiais enquadrados em códigos tarifários distintos do HTSUS 6802.99.00. Caso as medidas avancem, os impactos poderão ser significativos para grande parte da atividade industrial e a manutenção de empregos ao longo da cadeia produtiva.
“A preocupação do setor permanece elevada. Os Estados Unidos são o principal destino das exportações brasileiras de rochas naturais e a proposta anunciada pelo USTR volta a colocar sob risco aproximadamente 45% do faturamento exportado pelo setor. A inclusão de um código de nossos produtos entre as exceções é uma informação relevante, mas ainda estamos avaliando os impactos sobre outras categorias importantes da nossa pauta exportadora”, afirma Tales Machado, presidente da Centrorochas.
“O impacto é ainda mais severo entre as pequenas e médias empresas, que, em sua maioria, dependem quase exclusivamente da exportação desses materiais para manter suas operações. Em muitos casos, trata-se de 100% da receita dessas companhias, o que torna sua sustentabilidade econômica e a preservação dos postos de trabalho altamente ameaçadas”, completou o líder setorial.
Próximos passos
Embora a investigação tenha sido concluída, a eventual aplicação das medidas ainda depende do cumprimento de etapas previstas na legislação americana. O processo permanece em curso e inclui consultas públicas, manifestações de partes interessadas e audiência oficial antes da definição final sobre eventuais medidas corretivas.
Entre as próximas etapas estão a audiência pública marcada para 6 de julho e o prazo legal de 15 de julho para eventual definição e implementação das medidas propostas.
Diante desse cenário, a Centrorochas avalia que o momento reforça a importância da manutenção e do fortalecimento dos canais de diálogo institucional construídos ao longo dos últimos meses entre o setor brasileiro de rochas naturais e interlocutores estratégicos nos Estados Unidos.
Atuação institucional
Desde o anúncio das primeiras medidas tarifárias americanas, em 2025, a Centrorochas vem conduzindo uma agenda permanente de diplomacia empresarial e institucional nos Estados Unidos, com atuação frequente em Washington e interlocução junto a entidades empresariais, representantes políticos, especialistas em comércio internacional e organizações ligadas à cadeia da construção civil.
Esse trabalho tem buscado ampliar o entendimento sobre a relevância econômica das rochas naturais brasileiras para o mercado americano e fortalecer canais permanentes de diálogo entre os dois países.
Nesse contexto, a Centrorochas reforça a importância da continuidade e do fortalecimento da agenda de diplomacia empresarial e institucional construída ao longo dos últimos meses. A entidade seguirá acompanhando os desdobramentos do processo e ampliando o diálogo com interlocutores estratégicos nos Estados Unidos durante as próximas etapas previstas no cronograma do USTR.
Como o processo ainda não foi concluído, a Centrorochas ressalta que a proposta ainda está sujeita às etapas previstas no processo regulatório americano e seguirá acompanhando os desdobramentos do tema, mantendo as empresas e o setor informados sobre eventuais atualizações.
Associação Brasileira de Rochas Naturais
(Centrorochas)
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