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Granitos e mármores, produtos com maior potencial de expansão no setor de rochas naturais, são os mais afetados por nova tarifa dos EUA

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Medida recai sobre segmentos que perderam competitividade ao longo da última década e que poderiam liderar uma nova expansão das exportações brasileiras.

A entrada em vigor, neste dia 22 de julho, da nova tarifa adicional de 25% imposta pelos Estados Unidos sobre parte das importações brasileiras representa um novo desafio para a indústria nacional de rochas naturais. Embora uma parcela importante das exportações brasileiras permaneça contemplada pela exclusão da subposição tarifária HTSUS 6802.99.00 (que inclui, entre outros materiais, os quartzitos brasileiros), granitos, mármores e ardósias passam a enfrentar uma nova barreira comercial justamente em seu principal mercado internacional.

A Associação Brasileira de Rochas Naturais (Centrorochas) participou esta manhã de reunião com integrantes do Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços (MDIC), representantes do Ministério da Fazenda e o vice-presidente Geraldo Alckmin, que também comanda o MDIC. No encontro, que contou com a presença de outras associações empresariais, o presidente da Centrorochas, Tales Machado, reforçou que a nova tarifa altera o ambiente competitivo justamente para parte dos produtos tradicionalmente exportados ao mercado americano.

“O setor não está diante apenas de uma possível redução nas vendas atuais. Essa nova barreira comercial recai justamente sobre materiais que historicamente movimentaram grandes volumes de exportação e que ainda têm enorme potencial para ampliar a presença brasileira no mercado americano”, afirma o presidente da Centrorochas, Tales Machado.

Uma década de perda de competitividade

Há cerca de dez anos, o Espírito Santo, maior estado exportador de rochas naturais do Brasil e responsável por mais de 80% das exportações nacionais do setor, embarcava aproximadamente 3.500 contêineres por mês. Atualmente, esse volume gira em torno de 2.500 contêineres mensais.

A redução é resultado da perda gradual de competitividade provocada por fatores como o aumento dos custos logísticos, gargalos de infraestrutura, custos portuários e demais entraves associados ao chamado Custo Brasil.

Ao longo desse período, o crescimento das exportações de quartzitos permitiu compensar parte dessa redução de volume. Por apresentarem maior valor agregado, esses materiais contribuíram para sustentar a receita do setor, mesmo diante da perda de competitividade dos materiais tradicionais. “O quartzito foi fundamental para manter o desempenho do setor, mas ele não substituiu todo o potencial perdido pelos granitos e mármores. O cenário ideal seria manter a competitividade dos materiais tradicionais e, ao mesmo tempo, incorporar o crescimento dos quartzitos”, explica Tales Machado.

Caso essa competitividade tivesse sido preservada ao longo da última década, somando-se ao crescimento dos quartzitos, o setor poderia estar exportando atualmente cerca de US$ 2 bilhões por ano, acima dos aproximadamente US$ 1,5 bilhão registrados em 2025.

Principal mercado continua sendo os Estados Unidos

Os Estados Unidos são o principal destino das rochas naturais brasileiras há mais de duas décadas. Em 2025, o Brasil exportou US$ 795 milhões para o mercado americano, totalizando aproximadamente 587 mil toneladas embarcadas. O país respondeu por 53,6% das exportações brasileiras do setor.

Quase a totalidade desse fluxo comercial (99,9%) é composta por produtos semimanufaturados, principalmente chapas, que são transformadas nos próprios Estados Unidos em bancadas, revestimentos, pisos e outros produtos destinados aos mercados residencial e comercial.

A predominância desse tipo de produto faz com que os efeitos da medida ultrapassem a indústria brasileira e alcancem diferentes etapas da cadeia produtiva americana. “As chapas brasileiras abastecem uma ampla cadeia de empresas americanas responsáveis pelo beneficiamento, distribuição, instalação e comercialização desses produtos. Quando se aumenta o custo dessa matéria-prima, toda essa cadeia também é impactada”, destaca o presidente.

Recuperar competitividade passa a ser ainda mais desafiador

A nova tarifa amplia os desafios para que o Brasil volte a ganhar espaço justamente nos segmentos que historicamente lideraram as exportações nacionais em volume.

“O setor brasileiro demonstrou capacidade de adaptação ao longo dos últimos anos, mas competitividade não se constrói apenas dentro das empresas. Ela depende também de um ambiente comercial previsível. O novo cenário exige continuidade do trabalho institucional e de políticas que permitam ao Brasil recuperar a competitividade dos segmentos que historicamente impulsionaram as exportações brasileiras”, conclui Tales Machado.