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Ceará cresce mais de dez vezes acima dos principais estados exportadores de rochas naturais

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Crescimento de 141% em 2025 supera avanço registrado por Espírito Santo e Minas Gerais. O estado concentra uma das maiores bases produtoras de quartzito do país, material cuja demanda internacional se intensificou após o tarifaço.

O Ceará foi o estado com o maior crescimento percentual nas exportações brasileiras de rochas naturais em 2025, consolidando-se como o principal vetor de expansão do setor no país. Segundo dados da Associação Brasileira de Rochas Naturais (Centrorochas), as vendas externas cearenses avançaram 141,3% em valor no ano, desempenho mais de dez vezes superior ao registrado pelos dois maiores polos exportadores nacionais, Espírito Santo e Minas Gerais, que cresceram 12,2% cada, no mesmo período.

O resultado expressivo elevou a participação do Ceará para 7,4% das exportações brasileiras de rochas naturais, ampliando de forma significativa o peso do estado no comércio exterior do setor. O avanço ocorre em um contexto de ajustes no mercado internacional, marcado pela imposição de tarifas adicionais em mercados estratégicos, o que exigiu maior capacidade de adaptação por parte dos exportadores.

“Os números nos impressionaram, especialmente por terem sido alcançados em um ano desafiador, que provocou quedas relevantes nas exportações de granitos, mármores e ardósia. Para as empresas focadas exclusivamente na extração desses produtos, o ano foi marcado por retração. Esse movimento, no entanto, acabou sendo compensado pelo avanço de outros materiais, como os quartzitos, que tiveram desempenho bastante positivo e ajudaram a sustentar o resultado geral do setor”, analisa Tales Machado, presidente da Centrorochas.

Nesse contexto, o Ceará se destacou por concentrar uma das maiores bases produtoras de quartzito do país, material cuja demanda internacional se intensificou após o tarifaço, por estar enquadrado no único código incluído na lista de exceções às tarifas americanas. A condição ampliou a competitividade do produto brasileiro e favoreceu a produção, permitindo ao Ceará capturar uma parcela relevante do crescimento do setor em 2025.

Um dos símbolos desse avanço é Uruoca, que passou a figurar, em 2025, entre os dez maiores municípios exportadores de rochas naturais do país. Localizado na região da Ibiapaba, noroeste cearense, o município vem se consolidando como polo relevante na produção de quartzitos, reforçando a conexão entre a vocação mineral regional e a inserção do estado em cadeias globais de fornecimento.

Enquanto Espírito Santo e Minas Gerais mantiveram crescimento mais moderado, sustentado por estruturas produtivas já consolidadas, o Ceará se destacou pela rápida expansão de sua pauta exportadora, aproveitando uma janela de oportunidade aberta pela recomposição da demanda global. “Esse movimento reforça a posição do estado como polo emergente no setor de rochas e aponta para novas perspectivas de crescimento nos próximos anos”, avalia Tales.

O avanço também se refletiu no perfil dos destinos das exportações cearenses. Itália (+110,4%), China (+309,6%) e Estados Unidos (+115,9%) concentraram as principais compras em 2025, com destaque para os quartzitos (+174,1%), reforçando a inserção do Ceará nas principais cadeias globais de fornecimento e beneficiamento de rochas naturais.