
Participação da Centrorochas em agenda promovida pela Amcham, Citi e U.S. Chamber reforça a importância de ampliar o debate sobre minerais estratégicos e cadeias produtivas essenciais.
Brasília recebeu, no dia 26 de maio, uma das principais agendas recentes voltadas à discussão sobre minerais estratégicos, cadeias produtivas e cooperação econômica entre Brasil e Estados Unidos. Promovido pela Amcham Brasil, Citi e U.S. Chamber of Commerce, o evento “Diálogo sobre Minerais Críticos em Brasília” reuniu autoridades, parlamentares, investidores e lideranças empresariais para discutir ambiente regulatório, investimentos e segurança de suprimentos.
Representando o setor brasileiro de rochas naturais, a Associação Brasileira de Rochas Naturais (Centrorochas) participou do encontro reforçando uma agenda que vem ganhando espaço nos últimos meses: a inserção das rochas naturais brasileiras no debate sobre minerais estratégicos e cadeias produtivas essenciais.
Ao longo das discussões, ganhou força o entendimento de que as rochas naturais brasileiras não se confundem com terras raras ou minerais críticos metálicos, mas possuem relevância estratégica pela sua importância econômica, industrial, regional e exportadora, além da integração já existente com cadeias produtivas essenciais, especialmente ligadas à construção civil americana.
“O setor integra uma cadeia de minerais não metálicos diretamente conectada à construção civil dos EUA, especialmente em aplicações de alto valor agregado, como bancadas de cozinhas e banheiros”, completou Fábio Cruz, vice-presidente da Centrorochas.
EUA sinalizam aproximação com a iniciativa privada brasileira
Durante o encontro, o encarregado de Negócios da Missão dos EUA no Brasil, Gabriel Escobar, reforçou o interesse americano em ampliar o diálogo com a iniciativa privada brasileira em temas ligados a suprimentos, investimentos e cadeias produtivas estratégicas.
Dentro desse contexto, o deputado federal Evair de Melo destacou a relevância das rochas naturais brasileiras na agenda de minerais estratégicos e agregação de valor. “O mundo está atento aos minerais estratégicos neste momento, mas é preciso ampliar o olhar para outros materiais naturais. Quando o Brasil exporta quartzito, granito e mármore, também está exportando minerais presentes nessas rochas, como lítio, mica, feldspato, quartzo e calcário. O setor brasileiro de rochas faz parte dessa agenda estratégica de minerais e cadeias produtivas”, afirmou o parlamentar.
A fala dialoga diretamente com as discussões em torno do Projeto de Lei nº 2.780/2024, que institui a Política Nacional de Minerais Críticos e Estratégicos (PNMCE). De autoria do deputado Zé Silva e com relatoria do deputado Arnaldo Jardim, a proposta busca ampliar a definição de minerais estratégicos para incluir recursos minerais relevantes para o país pela geração de superávit comercial, desenvolvimento regional, agregação de valor e fortalecimento industrial, mesmo quando não diretamente ligados à transição energética. Os parlamentares participaram do encontro ao lado do deputado federal Evair de Melo.
Para a Centrorochas, a participação no evento faz parte de uma estratégia de diplomacia empresarial estruturada pelo setor desde 2025, após o anúncio das tarifas americanas. A iniciativa ampliou a atuação institucional nos Estados Unidos, especialmente em agendas ligadas a cadeias produtivas estratégicas e ambiente regulatório.
“As rochas naturais brasileiras têm relevância legítima dentro das discussões sobre minerais estratégicos. A participação do setor nesse debate reforça o amadurecimento de uma atuação voltada ao fortalecimento da indústria brasileira, ao desenvolvimento regional e ao posicionamento do Brasil em cadeias produtivas estratégicas”, concluiu o vice-presidente.
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